• José Luís Peixoto

SUPERMERCADO CHEN, LISBOA

Supermercado, mini-ásia







A comida é uma experiência profunda.


A forma como percepcionamos a comida depende de fatores que não conseguimos identificar e avaliar objetivamente, estão naquele lugar onde guardamos episódios que não somos capazes de recordar com toda a nitidez e que, no entanto, deixaram vincos para sempre. Falar de comida requer falar de quem nos alimentou quando aprendíamos o significado do mundo, do modo como nos relacionámos e relacionamos com o que aconteceu.


A comida é uma forma de memória, tem uma ligação direta à identidade, a todas nuances da identidade.


Há duas ou três coisas que não gosto de comer, não sei se algum dia serei capaz de superar aquilo que me opõe a esses sabores. Ainda assim, estou sempre muito disponível para experimentar. Não concebo viajar sem experimentar a comida.


Uma das vantagens é que, mais tarde, bastam alguns ingredientes para me transportar para um lugar a

milhares de quilómetros. Assim, quando quero ter Ásia em casa, faço escala no supermercado Chen.


É o melhor supermercado asiático que conheço em Lisboa. Tem uma grande variedade de produtos, principalmente chineses, mas também conta com boas seções de artigos tailandeses, japoneses e coreanos. Por motivos evidentes, a comida processada — embalada ou enlatada — é a mais abundante. Ainda assim, é muitíssimo surpreendente a oferta de congelados e, mesmo, de frescos.



Com algumas compreensíveis limitações no uso do português, a minha experiência é de grande simpatia com os funcionários, sempre prestáveis para esclarecer alguma questão.


Recomendo este supermercado a dois passos do Martim Moniz para quem seja iniciado na cozinha e no quotidiano da Ásia, e, também, para quem queira experimentar algo novo. Ainda assim, nesse caso, talvez seja conveniente fazer alguma pesquisa prévia e/ou levar alguém que possa ajudar.




Noutro dia falarei com mais detalhe da oferta de artigos tailandeses, japoneses e coreanos. Por hoje, deixo três sugestões entre os produtos chineses que compro sempre neste supermercado:

1) Os ovos preservados ou marinados. Há grandes diferenças entre estes dois tipos de ovos. Não sou especialista e gosto de ambos. São salgados, nem toda a gente aprecia à primeira, são um gosto adquirido.



2) Aqui em casa, quando termina o vinagre preto chinês, é hora de ir ao Martim Moniz. Há muitos tipos de vinagres na China, é possível entrar-se a fundo nessa pesquisa. Pessoalmente, prefiro o vinagre preto. Entre estes, também existe um mundo de opções. De todos os que já provei, e que se podem encontrar em Portugal, a minha medalha de ouro vai para o Chinkiang. É um vinagre envelhecido, com um sabor elaborado e um aroma que, quando se abre a garrafa, chega a todos os cantos da casa. Os chineses costumam usá-lo em sopas ou em massas. Eu uso-o em tudo.




3) Deixo como última sugestão os molhos picantes da marca Lao Gan Ma, que significa "velha avó", como se percebe pela fotografia do rótulo. Esta marca apresenta uma grande oferta de sabores. Alguns têm carne seca misturada com as pimentas, entre muitas outras possibilidades. Talvez o melhor seja começar-se pelo clássico. A marca Lao Gan Ma domina o mercado dos molhos picantes na China, o que não é dizer pouco.








(Supermercado Chen — Rua da Palma, 220, Lisboa)


Fotos de José Luís Peixoto

© José Luís Peixoto

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