• José Luís Peixoto

PEKAI’S THAI, MOÇAMBIQUE



Comida fabulosa de algum lugar






Ninguém me aconselhou este restaurante. Em 2015, na minha segunda visita a Maputo, fiquei hospedado num hotel desta rua (avenida Francisco O. Mogumbe). Na época, estava a escrever o livro O Caminho Imperfeito, sobre a Tailândia, e creio que isso contribuiu para que, numa noite, depois de espreitar a partir de fora, decidisse entrar.


Não é exata a convicção de que, hoje em dia, podemos encontrar comida de todo o mundo em qualquer parte. É verdade que, nas grandes cidades, há restaurantes de diversas origens, que tentam reproduzir a culinária de múltiplos países, mas, muito frequentemente, esses restaurantes não dispõem dos ingredientes originais e fazem grandes ajustes e substituições. É também comum que, para sobreviverem, tenham de ceder aos gostos locais e, por isso, cortem aqui, acrescentem ali, adaptem acolá.


Assim, a chamada “comida do mundo” disponível na maioria das cidades é, quase sempre, uma cozinha híbrida, apenas inspirada no país a que se refere.


Esta conclusão não é necessariamente negativa. Se a comida dos restaurantes internacionais espalhados pelo mundo fosse igualzinha à que se come nos próprios lugares, qual seria o sentido de atravessar o planeta e ir lá?


Posto isto, o que se espera de um restaurante tailandês em Moçambique?


Espera-se camarão, caranguejo, lulas e peixe. O menu do Pekai’s é bastante explícito a esse respeito. O espaço que dedica a estes produtos, comuns e de alta qualidade em Moçambique, é desproporcional em relação a outras propostas. Há vários pratos muito tradicionais da Tailândia que estão ali, nota-se, apenas por serem “obrigatórios” num menu tailandês. Mas, provavelmente, se alguém os pedir, nem estão disponíveis.


E nem fazem falta. Camarão, caranguejo, lulas e peixe são opções suficientes. Além disso, tal como a Tailândia, Moçambique é país de bom picante e, por isso, a um preço moderado, há banquete no Pekai’s.


O espaço é, também, bastante expressivo no que diz respeito a esta fusão, a esta Ásia africana: não existe um único dos muitos objetos tailandeses que sempre se encontram nos restaurantes deste país. Não há budas, elefantes, etc. E, no entanto, com uma mistura de formas e cores, luzes, plantas, bricabraque inusitado, consegue-se um ambiente muito semelhante aos lugares onde se come na Tailândia.


Sete anos depois, voltei a este Pekai’s. Que lugar incrível para uma refeição despretensiosa e que, por isso, surpreende bastante. Marisco excelente, apresentado com uma competência a que não consegui assinalar defeitos. Esta foi a minha experiência nas duas ocasiões em que aqui jantei. Por isso, das próximas vezes que regressar a Maputo, virei direitinho ao Pekai’s.







Texto de José Luís Peixoto

Fotos de Patrícia Santos Pinto