• José Luís Peixoto

DUBAI, EMIRATOS ÁRABES UNIDOS

O Dubai mesmo Dubai


A história do Dubai nasceu à volta da enseada Al Khor, uma faixa de água que atravessa a cidade, com quase catorze quilómetros a partir do Golfo Pérsico. Normalmente associados às origens mais remotas do emirado, estão os famosos mergulhadores de pérolas e todas as atividades que se desenvolveram a partir dessa área, como era o caso da pesca e da construção de barcos, em dimensões e condições muito modestas. Hoje, o que se sabe desse tempo está acessível no Museu Arqueológico Saruq Al-Hadid, com excelente e oportuna localização, junto à enseada. Como se sabe, a história do emirado sofreu súbitas transformações nas últimas décadas, catalisadas pela descoberta do petróleo, em 1966, e pela independência do Reino Unido, em 1971. A história desse período, por sua vez, está contada no Museu Ethiad, anexo ao edifício onde se assinaram os documentos que estabeleceram a federação de emirados. No que diz respeito à cultura local, aos usos e costumes, vale a pena visitar o Centro para o Entendimento Cultural Sheikh Moahmed. Esse espaço recria uma casa tradicional, onde se pode experimentar os pratos mais tradicionais e colocar perguntas sobre todos os assuntos, inclusivamente religiosos.


Mas, ainda no Museu Arqueológico, junto à enseada, uma opção aconselhável para o visitante é dirigir-se a pé até ao cais dos abras, esse é o nome das embarcações de madeira que fazem a travessia da enseada, de Bur Dubai para Deira e vice-versa. Tratam-se de transportes públicos, com uma estética própria, mas vocacionados para um uso quotidiano, mediante a cobrança de bilhetes económicos. A distância social imposta pela pandemia permitia que os passageiros olhassem uns para os outros com mais perspetiva. Como seria de esperar, a amostra de rostos e posturas era variada. Uma travessia curta, mas eloquente, bastantes diferenças entre uma e outra margem.


Bur Dubai é uma área pouco visitada por turistas. Ao ser habitada maioritariamente por emigrantes, tem uma profusão cultural imensa. Essa diversidade, nota-se ao nível da oferta comercial mais corrente: enormes supermercados de produtos filipinos, lojas de saris indianos, por exemplo.


Nesta área de Bur Dubai, destaco os restaurantes. A comida das principais comunidades emigrantes tem a mesma qualidade dos seus países de origem: tão boa como em Mumbai, Daca, Islamabad ou Manila. A facilidade de acesso aos ingredientes originais e a quantidade de bons cozinheiros permite esse rigor. Por outro lado, com respeito às cozinhas da região, é imperdível o peixe grelhado nas chamas de um restaurante iraquiano, como é imperdível o colorido de um banquete libanês, ou apenas um falafel, um simples e genuíno falafel. Tudo isto é, também, o Dubai.




Texto de José Luís Peixoto

Fotos de Patrícia Santos Pinto